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Educar: projetar para um futuro melhor

Coração da obra de Dom Bosco (II)

Desafios do educar: como o Sistema Preventivo de Dom Bosco contribui para o trabalho de educadores hoje?

Por: Carolina Neves e Fabíola Efigênia 

O cenário atual, para muitos, hoje, é visto como uma fase marcada por desafios políticos, econômico-financeiros e sociais. É comum, nas rodas de conversa com amigos e familiares, afirmarmos que enfrentamos uma “difícil crise”. Crise é caracterizada por ser um momento de desordem, e são diversas as desordens que afligem as pessoas, sobretudo as famílias nos dias atuais. Pais reclamam que os filhos não respeitam limites, filhos se comportam diante dos pais de modo a traduzir e relevar um anseio nítido por limites. Muitos jovens não possuem referências positivas que os inspirem a ser a melhor versão de si mesmos, as relações estão cada vez mais esvaziadas de sentido e proximidade. A verdade é que, na vida em sociedade, sempre enfrentaremos crises.

 São João Dom Bosco enfrentou muitas crises à sua época, quando decidiu que sua vida e missão seriam dedicadas a educar e evangelizar a juventude, sobretudo a mais pobre. Na pedagogia salesiana, três valores são essenciais: Confiança, Esperança e Aliança. Valores estes, fundamentais para quem acredita no poder da educação para a transformação de pessoas que, transformadas mudam o mundo.

A confiança é base do sistema educativo de Dom Bosco. O educador salesiano necessita a todo o momento criar uma relação de proximidade, liberdade e intimidade com o jovem para que este, muitas vezes perdido e sem referência de cuidado e atenção, encontre no educador alguém em quem possa confiar, se inspirar e ter esperanças de se projetar para um futuro melhor e promissor. Na relação educador-jovem, a confiança é perpassada pela afetividade e o jovem que experimenta um afeto que gera confiança, é capaz de abrir-se e sentir-se amado, principalmente por Deus.

A esperança nos projeta para um futuro melhor, nos move a prosseguir naquilo em que acreditamos e nos torna gratos diante da grandeza do dom da vida. Diante de uma juventude sem perspectivas reais ou pessoais, sem oportunidades, descrente ou com a estima pessoal enfraquecida, o educador salesiano se recorda de Dom Bosco, que era capaz de olhar com atenção e cuidado, enxergando potencial em cada jovem. Que ele é capaz de ser impulsionado a buscar caminhos novos com dignidade e em direção à sonhos que nunca puderam ser dantes sonhados.

 

A alegria, para Dom Bosco, é o terreno onde o educador pode praticar a arte de educar e o jovem pode germinar como boa semente que é. A alegria é dom divino que fecunda paz e tranquilidade nos corações. Com ela, o indivíduo vive a experiência de colher resultados de ações pautadas em uma visão positiva, onde também como regra, a auto-confiança se torna um chão firme para seus projetos e anseios. Ao oferecer ferramentas que provoquem a percepção consciente da importância e responsabilidade que existe na nossa e na história do outro, e aliar-se à prática constante da alegria em meio a tantos desafios, o jovem é capaz de fazer uma diferença firme e edificadora, em qualquer lugar que esteja.

O educador que consegue encontrar o equilíbrio entre a necessária distância entre ser “suficientemente próximo e suficientemente distante”, dar amor e dar limite, ter firmeza e ternura, tem no jovem um companheiro de sua ação educativa. A aliança é, desta maneira, estabelecida com o jovem. Ele conseguirá trabalhar e caminhar junto, possibilitando que o jovem seja protagonista e empreendedor.

 

Todo jovem trilha um itinerário de crescimento e o educador que acredita na pedagogia de Dom Bosco, como nós do Centro Juvenil Dom Bosco acreditamos, leva por este caminho a certeza de que é preciso olhar com amor, acreditar com firmeza, propor sem receio, não desistir na queda, vencer os próprios medos.

 

Carolina Neves de Oliveira. Gerente Socioeducativa Pastoral do Centro Juvenil Dom Bosco. Formação Acadêmica – Superior em Psicologia, Mestre em Psicologia Social.